terça-feira, 14 de julho de 2009
cuentos borgeanos - felicidades
- para ser feliz solo debes entender que eres parte del dolor;
- cuando despertamos tristes, solo debes entender que el remedio es el amor; como
- cuanto hay de cambio, solo debes entender que el remedio también es el amor.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
four freak friends
Nota do autor: Mais uma viagem do cursinho para casa, de ônibus, meio-dia, com aquele sol na cara que não deixa o cara dormir; vi um Escort XR3, 1991, com quatro seres muito interessantes. Um baixinho dirigindo, uma gorda (mas gorda, goooorda mesmo, sério), um alto e seco e uma dessas loiras aguadas que evidentemente passa água oxigenada no cabelo que sempre fica laranja. Quatro personagens que, uma vez separados, poderiam tranquilamente protagonizar uma dessas teen stories. Pensei em tentar uni-los em uma só. Então, lá vai.

Algum tempo atrás, como de costume, teve noite no fim-de-semana. E a rotina se manteve fiel. Quem tinha o papel de buscar todos em casa e levar à festa era o mais velho do grupo, o Pedro. Um dos guris mais baixinhos que eu já conheci na vida. Ninguém o mediu realmente, porém ele deve ter no máximo 1,4m de altura. Chega a ser ridículo e, portanto, muito engraçado. Sempre é barrado nessas blitz policiais por aparentar ser uma criança de treze anos que roubou o carro dos avós. Todos na cidade o chamam de PM. Ele prefere pensar e dizer que é por uma analogia às iniciais de seu nome e sobrenome (Pedro Machado), mas ele mesmo sabe que não é. A sigla vem de Pouca Merdinha.
A primeira casa que PM passou, foi a de Alberto. Um magricelo do tamanho de um poste. O cara não fala nada, por ser exageradamente tímido. Uma vez, houve um boato de que ele falou com um estranho, para comprar uma rapadura em Cidreira. Tudo que se ouviu foi: “Comprar uma rapadura”. O Atendente entregou o produto. E ele foi embora. Voltou para casa apavorado. Tremendo. Realmente eu não acredito que Alberto tenha feito isso, mas nunca se sabe, não é? Talvez, ele tenha bebido alguma coisa para agir de maneira tão corajosa. Ah, todos na cidade o conhecem como Bicho-Pau (procure no Google que entenderá).
Na mesma rua, o Pouca Merdinha apanhou Jane. Na realidade, não sei o nome dela. Deve ser algo como Rejane, Janeleide, Januza Anne. Só tenho certeza de que não me espantaria se a “graça” dela fosse algo ainda mais terrível que esses bizarros citados. No Orkut, o nick dela é algo assim: →*G*α*и*e*← ‘ ∂αs ρiяiguєtєs #)~. Eu e você sabemos que Jane é com “J”, e que qualquer um que leia isso dirá “GANE”. Agora, vai explicar isso pra ela. Quero ver. Sabe aquele tipo de guria que, se fosse bem vestida, valeria alguma coisa. Que tudo que precisa é de um namorado com bom gosto, um rancho na Renner e um vermífugo dos bons para acabar com a barriguinha nojenta. Aquelas “quase-bonitas”, como diz Christian Pior. O apelido mais utilizado ao referirem-se à Jane é Joelma. Aquela do Calypso. Além de Barriga-de-vermes, Coco-guardado, Prisão-de-ventre etc.
Os três foram buscar a última componente do grupo: a gorda. 174,8 Kg de gorda. A impressão é que, se carneassem a Fabi, como fazem com bois, a carne dela alimentaria tranqüilamente um país subdesenvolvido por alguns meses. Especulam que o fato de o grupo ser composto por só quatro amigos (e não mais) vem de essa gorda ser tão grande que não caberia mais ninguém no carro. No programa “Pânico na TV”, há um quadro em que o Bola tem que beijar uma gorda imensa. Aquela gorda é seca perto da Fabi. Vocês entendem que eu só estou tentando ilustrar bem, certo? A mina é, tipo, ENORME. As pessoas (normais) a chamam de Fabião, Fabizarra, Pós-gorda, Foca-grávida, Corpo-celeste, Big-mac, Guarda-costas-do-Hulk etc.
Enfim, o carro estava cheio (e bem cheio, pesado). Pedro, Alberto, Jane e Fabiana estavam lá. Ou, respectivamente, Pouca Merda, Bicho-Pau, Joelma e Fabizarra – como preferir. A tal baladinha aconteceu em um salão perto da vila Cruzeiro, em Porto Alegre. Dos quinze Reais que Pedro levou para noite, dez ele gastou em estacionamento. Ficou com cincão pra comprar um refri e aquele cachorro-quente esperto.
Chegando ao “Inferninho”, como o local era conhecido, as arriadas proferidas pelos populares ao grupo de quatro seres humanos análogos às infelizes mutações ocorridas com os animais de Chernobyl foram imediatas. Freqüentemente, o alvo primário era a tal gorda. Mais uma vez, não foi diferente. Fabizarra estava vestida toda de amarelo. Me pergunto: pra quê? Um dos que estavam na fila exclamou:
- Olha ali um quindim gigante, brother!
Teve um que ainda comentou com tom de deboche bem evidente:
- Eu nem estou bêbado ainda e já me chamaram um táxi!
É complicado. Engraçado, mas complicado. Como ela nem se estressava mais com isso, tudo ficava bem. Mesmo que ela se deprimisse – o que era raro -, sabia que os seus amigos a ajudariam. Ou não, também. Uma cerveja já estava bom para aquela baleia ficar toda faceirinha. Os guris, Pedro e Alberto, ficaram olhando as garotas “dançarem”, o que já era suficiente para que eles fossem pra casa e... Enfim, “lembrassem” dos movimentos. Sozinhos. No banheiro. Bom, você me entendeu. A Joelma, digo, a Jane foi direto pegar um guri mongolão, lá – Paulo, eu acho. Eles haviam se conhecido em um desses chats do Terra, BOL, UOL, o caralho a quatro. Já chegou à festinha com o pé-morno, como dizem para quem já tem brete garantido. A gorda é a gorda. Estava sempre rondando pela festa fazendo merda e se fingindo de bêbada. A música repentinamente parou. A multidão enlouqueceu e começou a vaiar. Até que um anúncio foi feito:
- Senhor proprietário do Escort XR3, Placa XXX-XXXX, por favor, compareça ao estacionamento.
Era o carro de Pedro. Logo, lá foi o guri. E por vinte minutos ficou. O Bicho-pau foi o primeiro que notou a demora de PM para voltar. Mais 10 minutos foi o tempo que combinaram de esperarem. Esperaram quinze. E nada. Foram todos até o estacionamento. Lá, estava o carro, o Escort preto que nem pé preto do pai do Pedro, mas nada do rapaz. Quatorze segundos passaram-se, desde que notaram a ausência do imbecil, até estarem todos dentro de uma van, cada um com um saco escuro na cabeça e uma arma apontada para suas cabeças. A gorda se debatia feito um peixe (gordo) fora d’água. Complicado. Engraçado, mas complicado. Os guris choravam. A Joelma gritava “A lua me traiu! Acreditei que era prá valer. A lua me traiu! Fiquei sozinha e louca por você!”. Não, estou brincando. Ela apenas pedia socorro.
A Van parou. Mandaram que todos descessem e entrassem em uma casa abandonada – daquelas de filme de terror mesmo, bem clichê (não pensei em nada melhor). Ordenaram que só retirassem os sacos da cabeça quando passasse dois minutos. Foi o que fizeram. Cento e vinte segundos cuidadosamente contatos depois, viram-se presos em uma maloca hermeticamente fechada. Uma parede os separava em duplas. De um lado, Pedro e Jane; do outro, Fabiana e Alberto. O desespero bateu na hora. A gorda usava seu corpo como ferramenta para tentar quebrar as paredes. Tal ato foi prontamente contido aos gritos. Uma vez que perceberam que a baleia seria capaz de destruir a casa inteira, matando os quatro ali mesmo. Quinze horas depois – que na realidade eram apenas quinze minutos, mas fique esse tempo trancado em uma espelunca/cativeiro com mais três imbecis a sua volta pra ver -, eles desistiram de procurar uma saída. Sentaram-se. Pedro, agora, calmo, dava conforto à Jane que não conseguia parar de chorar. Na outra parte do cativeiro, era a Fabagulho que confortava Alberto. O tempo passou. Mais quinze minutos que pareciam horas. E mais quinze. E mais quinze. E mais. Até que estavam lá por exatas quatro voltas completas do ponteiro pequeno. Ninguém apareceu. Perceberam que ficariam ali, eternamente. Morreriam de fome, sede. O desespero era tamanho, que Pedro confessou à Jane que era apaixonado por ela desde aquele lindo show do Belo em cidreira, em 1999 (que noite, amigo!). Ela também disse que sempre quis ter algum rolinho com ele. Beijaram-se. Era uma mistura de êxtase com tristeza. Algo único. Como tudo que acontecia no lado leste da casa, acontecia ao contrário no lado oeste, Fabiana resolveu abrir-se. “Alberto, você é o homem da minha vida”. Ele não disse nada. Era burro. Se falasse alguma coisa ia morrer virgem. Graças a Deus ficou quieto. Foi corajoso, eu admito. Beijou a gorda. O grupo estava lá: separado em casais por uma parede. Amavam-se como nunca, aos pares. Assim foi por mais cinco horas e meia. Naquela casa, ninguém mais era virgem. Quando se deram conta disso, alguém bateu na porta.
- Tem alguém aí? – disse uma voz de velho.
- Socorro! Fomos presos aqui! Ajude-nos! – respondeu Jane.
O tal velho mandou que esperassem, e prometeu trazer ajuda. Pedro estava tão feliz que achou forças para fazer uma piadinha dizendo que não iriam a lugar algum. O Senhor Nalberto apareceu, algum tempo depois, portanto uma marreta, com a qual conseguiu arrombar as portas. Todos estavam livres. Só que em Viamão, uma cidade ao lado de Porto Alegre, mais precisamente na vila São Lucas, perto da famosa Rua Pixinguinha. Enfim, em um fim-de-mundo maldito.
Descobriram mais tarde que era tudo uma brincadeira de um grupo de boyzinhos da Zona Norte. Eles faziam aquilo por diversão. Complicado. Engraçado, mas complicado. Os freekfriends não tiveram coragem de contar o que aconteceu. Seria uma humilhação. Mantiveram segredo. O mais engraçado de tudo é que um casal nunca soube o que acontecia do outro lado do cativeiro, e vice-versa. O que aconteceu entre PM e Jane, ficou entre eles. A mesma coisa aconteceu com Fabiana e Alberto. O fato de ser um “trauma” serviu como desculpa para que não tocassem no assunto. A arriada dos playboys serviu para todos, por mais estranho que possa ser. Serviu tanto para que eles alimentassem seus egos, quanto para criar dois casais. Tudo bem que eles fingem que nada aconteceu, mas aconteceu. Sempre que uma festa começa, lá estão os quatro freekfriends. Sempre que uma festa acaba, lá estão os dois casais. Felizes e imbecis. Afinal, tudo que é escondido é mais legal. Complicado também. Engraçado e legal, mas complicado.

Algum tempo atrás, como de costume, teve noite no fim-de-semana. E a rotina se manteve fiel. Quem tinha o papel de buscar todos em casa e levar à festa era o mais velho do grupo, o Pedro. Um dos guris mais baixinhos que eu já conheci na vida. Ninguém o mediu realmente, porém ele deve ter no máximo 1,4m de altura. Chega a ser ridículo e, portanto, muito engraçado. Sempre é barrado nessas blitz policiais por aparentar ser uma criança de treze anos que roubou o carro dos avós. Todos na cidade o chamam de PM. Ele prefere pensar e dizer que é por uma analogia às iniciais de seu nome e sobrenome (Pedro Machado), mas ele mesmo sabe que não é. A sigla vem de Pouca Merdinha.
A primeira casa que PM passou, foi a de Alberto. Um magricelo do tamanho de um poste. O cara não fala nada, por ser exageradamente tímido. Uma vez, houve um boato de que ele falou com um estranho, para comprar uma rapadura em Cidreira. Tudo que se ouviu foi: “Comprar uma rapadura”. O Atendente entregou o produto. E ele foi embora. Voltou para casa apavorado. Tremendo. Realmente eu não acredito que Alberto tenha feito isso, mas nunca se sabe, não é? Talvez, ele tenha bebido alguma coisa para agir de maneira tão corajosa. Ah, todos na cidade o conhecem como Bicho-Pau (procure no Google que entenderá).
Na mesma rua, o Pouca Merdinha apanhou Jane. Na realidade, não sei o nome dela. Deve ser algo como Rejane, Janeleide, Januza Anne. Só tenho certeza de que não me espantaria se a “graça” dela fosse algo ainda mais terrível que esses bizarros citados. No Orkut, o nick dela é algo assim: →*G*α*и*e*← ‘ ∂αs ρiяiguєtєs #)~. Eu e você sabemos que Jane é com “J”, e que qualquer um que leia isso dirá “GANE”. Agora, vai explicar isso pra ela. Quero ver. Sabe aquele tipo de guria que, se fosse bem vestida, valeria alguma coisa. Que tudo que precisa é de um namorado com bom gosto, um rancho na Renner e um vermífugo dos bons para acabar com a barriguinha nojenta. Aquelas “quase-bonitas”, como diz Christian Pior. O apelido mais utilizado ao referirem-se à Jane é Joelma. Aquela do Calypso. Além de Barriga-de-vermes, Coco-guardado, Prisão-de-ventre etc.
Os três foram buscar a última componente do grupo: a gorda. 174,8 Kg de gorda. A impressão é que, se carneassem a Fabi, como fazem com bois, a carne dela alimentaria tranqüilamente um país subdesenvolvido por alguns meses. Especulam que o fato de o grupo ser composto por só quatro amigos (e não mais) vem de essa gorda ser tão grande que não caberia mais ninguém no carro. No programa “Pânico na TV”, há um quadro em que o Bola tem que beijar uma gorda imensa. Aquela gorda é seca perto da Fabi. Vocês entendem que eu só estou tentando ilustrar bem, certo? A mina é, tipo, ENORME. As pessoas (normais) a chamam de Fabião, Fabizarra, Pós-gorda, Foca-grávida, Corpo-celeste, Big-mac, Guarda-costas-do-Hulk etc.
Enfim, o carro estava cheio (e bem cheio, pesado). Pedro, Alberto, Jane e Fabiana estavam lá. Ou, respectivamente, Pouca Merda, Bicho-Pau, Joelma e Fabizarra – como preferir. A tal baladinha aconteceu em um salão perto da vila Cruzeiro, em Porto Alegre. Dos quinze Reais que Pedro levou para noite, dez ele gastou em estacionamento. Ficou com cincão pra comprar um refri e aquele cachorro-quente esperto.
Chegando ao “Inferninho”, como o local era conhecido, as arriadas proferidas pelos populares ao grupo de quatro seres humanos análogos às infelizes mutações ocorridas com os animais de Chernobyl foram imediatas. Freqüentemente, o alvo primário era a tal gorda. Mais uma vez, não foi diferente. Fabizarra estava vestida toda de amarelo. Me pergunto: pra quê? Um dos que estavam na fila exclamou:
- Olha ali um quindim gigante, brother!
Teve um que ainda comentou com tom de deboche bem evidente:
- Eu nem estou bêbado ainda e já me chamaram um táxi!
É complicado. Engraçado, mas complicado. Como ela nem se estressava mais com isso, tudo ficava bem. Mesmo que ela se deprimisse – o que era raro -, sabia que os seus amigos a ajudariam. Ou não, também. Uma cerveja já estava bom para aquela baleia ficar toda faceirinha. Os guris, Pedro e Alberto, ficaram olhando as garotas “dançarem”, o que já era suficiente para que eles fossem pra casa e... Enfim, “lembrassem” dos movimentos. Sozinhos. No banheiro. Bom, você me entendeu. A Joelma, digo, a Jane foi direto pegar um guri mongolão, lá – Paulo, eu acho. Eles haviam se conhecido em um desses chats do Terra, BOL, UOL, o caralho a quatro. Já chegou à festinha com o pé-morno, como dizem para quem já tem brete garantido. A gorda é a gorda. Estava sempre rondando pela festa fazendo merda e se fingindo de bêbada. A música repentinamente parou. A multidão enlouqueceu e começou a vaiar. Até que um anúncio foi feito:
- Senhor proprietário do Escort XR3, Placa XXX-XXXX, por favor, compareça ao estacionamento.
Era o carro de Pedro. Logo, lá foi o guri. E por vinte minutos ficou. O Bicho-pau foi o primeiro que notou a demora de PM para voltar. Mais 10 minutos foi o tempo que combinaram de esperarem. Esperaram quinze. E nada. Foram todos até o estacionamento. Lá, estava o carro, o Escort preto que nem pé preto do pai do Pedro, mas nada do rapaz. Quatorze segundos passaram-se, desde que notaram a ausência do imbecil, até estarem todos dentro de uma van, cada um com um saco escuro na cabeça e uma arma apontada para suas cabeças. A gorda se debatia feito um peixe (gordo) fora d’água. Complicado. Engraçado, mas complicado. Os guris choravam. A Joelma gritava “A lua me traiu! Acreditei que era prá valer. A lua me traiu! Fiquei sozinha e louca por você!”. Não, estou brincando. Ela apenas pedia socorro.
A Van parou. Mandaram que todos descessem e entrassem em uma casa abandonada – daquelas de filme de terror mesmo, bem clichê (não pensei em nada melhor). Ordenaram que só retirassem os sacos da cabeça quando passasse dois minutos. Foi o que fizeram. Cento e vinte segundos cuidadosamente contatos depois, viram-se presos em uma maloca hermeticamente fechada. Uma parede os separava em duplas. De um lado, Pedro e Jane; do outro, Fabiana e Alberto. O desespero bateu na hora. A gorda usava seu corpo como ferramenta para tentar quebrar as paredes. Tal ato foi prontamente contido aos gritos. Uma vez que perceberam que a baleia seria capaz de destruir a casa inteira, matando os quatro ali mesmo. Quinze horas depois – que na realidade eram apenas quinze minutos, mas fique esse tempo trancado em uma espelunca/cativeiro com mais três imbecis a sua volta pra ver -, eles desistiram de procurar uma saída. Sentaram-se. Pedro, agora, calmo, dava conforto à Jane que não conseguia parar de chorar. Na outra parte do cativeiro, era a Fabagulho que confortava Alberto. O tempo passou. Mais quinze minutos que pareciam horas. E mais quinze. E mais quinze. E mais. Até que estavam lá por exatas quatro voltas completas do ponteiro pequeno. Ninguém apareceu. Perceberam que ficariam ali, eternamente. Morreriam de fome, sede. O desespero era tamanho, que Pedro confessou à Jane que era apaixonado por ela desde aquele lindo show do Belo em cidreira, em 1999 (que noite, amigo!). Ela também disse que sempre quis ter algum rolinho com ele. Beijaram-se. Era uma mistura de êxtase com tristeza. Algo único. Como tudo que acontecia no lado leste da casa, acontecia ao contrário no lado oeste, Fabiana resolveu abrir-se. “Alberto, você é o homem da minha vida”. Ele não disse nada. Era burro. Se falasse alguma coisa ia morrer virgem. Graças a Deus ficou quieto. Foi corajoso, eu admito. Beijou a gorda. O grupo estava lá: separado em casais por uma parede. Amavam-se como nunca, aos pares. Assim foi por mais cinco horas e meia. Naquela casa, ninguém mais era virgem. Quando se deram conta disso, alguém bateu na porta.
- Tem alguém aí? – disse uma voz de velho.
- Socorro! Fomos presos aqui! Ajude-nos! – respondeu Jane.
O tal velho mandou que esperassem, e prometeu trazer ajuda. Pedro estava tão feliz que achou forças para fazer uma piadinha dizendo que não iriam a lugar algum. O Senhor Nalberto apareceu, algum tempo depois, portanto uma marreta, com a qual conseguiu arrombar as portas. Todos estavam livres. Só que em Viamão, uma cidade ao lado de Porto Alegre, mais precisamente na vila São Lucas, perto da famosa Rua Pixinguinha. Enfim, em um fim-de-mundo maldito.
Descobriram mais tarde que era tudo uma brincadeira de um grupo de boyzinhos da Zona Norte. Eles faziam aquilo por diversão. Complicado. Engraçado, mas complicado. Os freekfriends não tiveram coragem de contar o que aconteceu. Seria uma humilhação. Mantiveram segredo. O mais engraçado de tudo é que um casal nunca soube o que acontecia do outro lado do cativeiro, e vice-versa. O que aconteceu entre PM e Jane, ficou entre eles. A mesma coisa aconteceu com Fabiana e Alberto. O fato de ser um “trauma” serviu como desculpa para que não tocassem no assunto. A arriada dos playboys serviu para todos, por mais estranho que possa ser. Serviu tanto para que eles alimentassem seus egos, quanto para criar dois casais. Tudo bem que eles fingem que nada aconteceu, mas aconteceu. Sempre que uma festa começa, lá estão os quatro freekfriends. Sempre que uma festa acaba, lá estão os dois casais. Felizes e imbecis. Afinal, tudo que é escondido é mais legal. Complicado também. Engraçado e legal, mas complicado.
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